terça-feira, 28 de agosto de 2012

Sobrenatural.



De esperança perdida,
Alma destruída
E fé reduzida,
Apanhaste-me desprevenida,
Alimentaste a minha vida,
Mostraste-me a saída,
E tocaste o meu coração, de forma sentida,

O que foi involuntário,
É hoje necessário,
E todo resto é agora minoritário...
Que seja tudo menos precário,
Temporário.

A tua mão,
Tocando-me em vão,
Que não parta por qualquer senão,
Pois és fruto de emoção,
Como que saído da minha imaginação...

Caíste do céu,
Deste-me um novo chão.

Rita *

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O Teu Sabor.





Saudades,
Desse chocolate,
Com um sabor aparte,
Que me levava até Marte...

Saudades,
Desse toque de veludo,
Dessa suavidade, sobretudo,
Desse miúdo,
Desse tudo...

Saudades,
Desse olhar hipnotizante,
Viciante,
Saudável como adoçante,
Meu diamante,
Quão espampanante...

Saudades,
Desse beijo de caramelo,
Arrepiante como gelo,
Rosto tão belo,
Rei do meu castelo...

Rita*

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Dias.



Todos os dias,
Não sozinha,
Mas acompanhada pela minha rotina,
Percorro a mesma linha, 
Ainda.

Chávena de café numa mão,
A outra apoiada no cadeirão,
Os pés a baterem no chão...

Brisa suave do mar,
O vento sopra sem parar,
O sol a brilhar,
Bem como o olhar,
Pelo céu a viajar,
Por dias lindos de calor,
Com um doce sabor,
Recheados de cor,
Que primor...
Leva-me de volta, Senhor.

Avizinha-se o anoitecer,
É hora de retroceder,
E o mesmo caminho percorrer,
A correr,
Bem depressa, antes de escurecer,

Mesmo a fugir,
A noite acabou por cair,
Está escuro, quero sair,
Para onde hei-de ir?

Já percorri todas as rotas,
Andei por aí às voltas,
Já sei de cor todas as curvas,
Até as mais turvas,
Sei de cor cada local, 
Cada beco, no geral,
E não é por mal,
Mas nada sonda a ideal,
É tudo tão informal,
Parece tudo tão real,

Chegada ao lar,
Lá vou outro café tomar,
Com uma torrada a escaldar,
Toca a arrumar
Para ir deitar, 
E voltar a acordar, 
E a deitar, e a acordar e a deitar...
Quero ir de volta,
Para o MEU lar.


Rita *





terça-feira, 3 de julho de 2012

Estagnação




Talvez com o tempo passasse,
Talvez amenizasse,
Talvez sarasse!
Não supus que o tempo parasse,
E ali estagnado ficasse,
Como se algo esperasse,
E nunca, nunca mais, uma brisa de alívio pairasse.

Não suposição mal feita;
Suposição desfeita,
Imperfeita,
Pois o tempo a rejeita
E cada vez mais ma estreita.


O caminho inverteu-se:
O Norte perdeu-se
A bússola elouqueceu-se...
E o destino esqueceu-se!

Rita *

domingo, 1 de julho de 2012

Fácil




Como foi fácil,
Ignorar e seguir em frente,
Ocupar a mente
Tão ferozmente, 
Tão de repente!

Como foi fácil,
Enxugar as lágrimas que nunca caíram,
Que nunca existiram,
Trocar outras lágrimas por liberdade,
Ignorar a saudade,
E sorrir com vontade...
Mas que grande prosperidade!!!

Como foi fácil,
Em dias de sol olhar o mar
Sem chorar,
Sem sequer lacrimejar,
Sem qualquer recordação,
Qualquer emoção
Um dia vivida,
Um dia esquecida,
E sentida, pelo coração.

Como foi fácil,
Ficar num silêncio atroz,
Calar a voz,
Esquecendo um passado
Amado,
Desesperado,
Apaixonado,
Sacrificado,
Agora trocado.

Como foi fácil,
Soltar a outra mão,
Atirar o seu corpo para o chão,
Sem qualquer compaixão,
Seu pobre amor tão cheio de ilusão!
E tão vazio de realismo,
Cheio de espiritismo,
Romantismo...

Como foi fácil,
Deixá-la à beira do abismo.


Rita *


terça-feira, 5 de junho de 2012

Já Faz Tanto Tempo


Passou tanto tempo sem o carinho ou agitação da tua mão, o teu toque meigo ou mais agressivo no meu rosto, no meu braço...
Passou tanto tempo desde que eu vi o teu colo a querer receber-me, tanto tempo desde que te dei a mão...
Passou tanto tempo desde que recebi uma prenda tua, um mimo... Desde que olhei para ti.

E já faz tanto, mas tanto tempo que olho para o céu na esperança que desças, numa estrela, para me abraçares... Quando voltas? Os meus olhos estão à tua espera.



Rita*

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Olha Por Mim.




Gostava que estivesses aqui,
Ao pé de mim,
Vendo a vida finalmente a sorrir para mim,
Vendo o meu sorriso brilhante,
Ofuscante,
Que junto com o teu era cintilante,
Juntos éramos um diamante...
Gostava que visses o meu grande amor,
Como colocou na minha vida tanta cor,
E acredita que ele é um senhor!
Continuo má a matemática,
Mesmo recorrendo muito à prática,
E ainda muito dramática,
Mas sempre fantástica!!
Gostava que assistisses às minhas novas manias,
Todas as minhas porcarias,
Tiques todos os dias,
O que te ririas...
Os meus planos mudaram,
Aumentaram,
E um dia poderei contar-te que se concretizaram,
A ti e a todos aqueles que acreditaram.
O quanto mudou de há três anos para cá,
Quanta coisa má,
Quanta coisa boa,
Quanta coisa fiz à toa!
Chorei demais,
Sorri ainda mais...
Um dia quero abraçar-te,
Olhar-te,
E tudo frente a frente poder contar-te...
Mesmo depois de tudo,
Do nosso destino mudo,
E surdo,
Espero causar-te orgulho em mim, 
E poderes sorrir assim,
Tal como estou a sorrir agora,
Com toda a emoção que em mim mora,
Que em lágrimas se derrama para fora.

Fica aí, olha por mim... Espera por mim, fica comigo!
Moras no meu coração...

Rita *