sábado, 19 de fevereiro de 2011

Coração Dormente.

Ela nunca acreditara ter sido por ele querida,
Amada ou desejada,
A este pensamento ela era tentada,
Atormentada,
Se tornou então como que anestesiada
Por uma vacina permanente,
Que lhe fez o coração dormente,
E assim ela nada sente,
Mesmo estando doente,
Carente e inconsciente,
Já não há remédio...
Então para quê caír no tédio
Da mágoa e da amargura,
Quando dentro da sua demência encontra alguma doçura,
Alguma ternura?
Tanto que lhe mente o coração,
Transformando dor em paixão,
Choro em emoção,
Tristeza num grande sorriso...
Pois mais nada para ele é preciso
Do que aquele grandioso sorriso
Que ela mostra entre risadas;
São longas e animadas
As suas gargalhadas,
São lágrimas disfarçadas
Que correm densas como rios,
Sempre cheios mas tão vazios,
Como no Inverno: escuros e sombrios;
Parecendo sempre tão brilhante,
Aquela sua alegria contagiante,
Mas...
Aquele olhar distante,
Tão perturbante,
Não pára de ser constante,
Nem aquela mágoa inocente,
Permanente,
Do seu pequeno coração dormente...

Rita *

1 comentário:

  1. Como sempre, gostei muito, pintinhas :D
    Este teu dom pra escrita, é incrível!

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